28 fevereiro 2012

Como recuperar a auto-estima?

Imagem retirada do site Stylish Web Designer.
Como recuperar a auto-estima?
    Você mal abre o seu navegador da internet e já se depara com imagens lindas de modelos idem. Percebe os padrões, fixa seus paradigmas, e, quando olha a sua imagem refletida no espelho, vem a decepção: você não é nada daquilo que tem para si como a imagem de uma pessoa linda. Triste, não é?

    Este pequeno parágrafo representa um fenômeno cada vez mais frequente na população: a "baixa auto-estima".

    Certa vez, navegando pela internet, me deparei com um vídeo japonês que logo virou hit (me desculpe, mas não consegui encontrá-lo). Nele, uma garota considerada "feia" pelo auditório de um programa de televisão era "transformada" num "ideal de beleza", a custa de muita maquiagem e de acessórios estranhos e que nada têm a ver com o biotipo nipônico. Por exemplo, à garota em questão foi aplicada muita base em tons bem mais claros do que aquele que lhe seria adequado, de modo a deixar o seu rosto com uma aparência de "pele de porcelana". Mas o mais bizarro, porém, foi o efeito de olhos abertíssimos da menina, conseguido através da utilização das chamadas "lentes de contato de círculo". 


    A reação da garota também foi surpreendente. Sua expressão pré-transformação era idêntica à daquelas mulheres sofridas que se submetem a quadros como o extinto "Espelho, espelho meu", do também extinto programa da Márcia Goldsmith. Sabe aquele "ar" esperançoso, como se o programa fosse uma espécie de milagreiro que pudesse trazer a sua dignidade de volta?

    Desenvolver a vaidade é sim um modo de recuperar a auto-estima. Porém, vaidade em excesso é algo tão destrutivo quanto a sua falta. Daí porquê, em que pese similares, as histórias das mulheres do "Espelho, espelho meu" e da menina do programa japonês são diferentes: a garota japonesa não desejava corrigir algo na sua aparência que não a agradava por fatores que a batalha diária lhe impingiu. Não, ela era uma menina "perfeita", não-sofrida, que não aceitava a principal característica do biotipo oriental: os olhos pequenos e puxados.

Garota japonesa utilizando as "lentes de contato de círculo" -- imagem retirada do blog Tribo Crows.

    Mas o que realmente "chocou" no vídeo nem foi a transformação em si. Acontece que apenas metade do rosto da menina foi "transformada", deixando a outra metade in natura, para que o público pudesse comparar. A reação da platéia era mostrada cada vez que o apresentador descobria e cobria a metade maquiada, com elogios e vaias, respectivamente. E a menina pareceu estar perfeitamente bem com toda aquela humilhação!

    Gandhi certa vez afirmou: "A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade, e sob ângulos diversos". O problema da baixa auto-estima reside justamente na tentativa de petrificação da verdade, na padronização dos ideais, e, principalmente, da aceitação disso tudo pelas pessoas, de modo a inviabilizar a convivência com coisas que sejam um pouco... diferentes!

    Olha, quero deixar claro que sou a favor de cirurgias corretivas, como plásticas no nariz, diminuição ou aumento moderado dos seios e correções de problemas na visão (inclusive eu passei por esta). Mas daí a querer negar uma característica tão natural quanto olhos pequenos e puxados em orientais? Sinto muito, mas, para mim, isto é quase como negar a própria existência!

    Cada corpo possui um limite. Uma pessoa com ossatura larga nunca conseguirá um corpo do tipo mignon, por mais que faça dieta e, inclusive, desenvolva um distúrbio alimentar, como bulimia ou anorexia. O que fazer, então? Serrar os ossos? Desgastá-los de modo a deixá-los mais finos? É claro que não!

Gisele Bündchen e Juliana Paes: belezas totalmente diferentes -- imagem retirada do blog N9ve.

    O primeiro passo para driblar a baixa auto-estima é se aceitar. Não digo uma aceitação do tipo "sou uma pessoa gorda mesmo, e daí?", mas aceitar que cabelos cacheados podem ser bonitos, que sensualidade não depende de biotipo, e que, com uma pitada de bom senso, detalhes indesejados podem ser disfarçados. Não adianta adotar uma postura de "tô nem aí" e vestir a camisa do "eu sou mais eu", sem que o seu interior esteja realmente transformado. Sempre existirá alguém para lhe atirar pedras, e adotar tal postura é quase como exibir um outdoor com os dizeres: "atire em mim, porquê eu aguento". E, adivinhe? Ninguém é capaz de resistir a ataques constantes!

    Repito: desenvolver a vaidade é um modo de recuperar a auto-estima, mas desde que a mesma esteja sempre aliada ao bom-senso. Se abandonar seus ideais de beleza parece tarefa impossível, então aprenda com eles, ao invés de se martirizar por não conseguir ser similar a eles. Por exemplo: se você é tem estatura baixa e morre de inveja de modelos altos e longilíneos, então aprenda a se vestir de modo a aparentar ser mais alto do que o que você realmente é. Se o teu problema é um quadril estreito, abuse de babados ou volumes nesta região e torne-se uma pessoa feliz!

Aprenda a respeitar o teu biotipo -- imagem retirada do site Imagem e Estilo.

    Só peço que, qualquer que seja a medida que você tome para mudar, faça com que ela sempre esteja aliada à saúde. Este é o teu limite: a tua saúde. É claro que desenvolver a auto-estima nos traz uma situação de bem-estar, mas do que adianta passar horas a fio na academia tentando chegar ao peso ideal (peso saudável, por favor), se pelo excesso de exercícios você "ganhar" um problema na coluna ou no joelho?

    A regra é o bom-senso, gente, a moderação! Não adianta por a culpa no bulling, se as tuas atitudes estão justamente permitindo isto. Não adianta chorar pelos cantos e só reclamar da vida, se você não tomar nenhuma medida efetiva para mudar a tua situação!

    Se descubra, se aceite e mude no que for necessário. E, se ao final deste processo você passar a se amar mais um pouquinho, ainda que sendo uma pessoa possuidora de um bom número de "imperfeições", pode ter certeza de que os outros também perceberão estas mudanças benéficas no teu interior. Afinal de contas, por mais clichê que possa ser, uma pessoa de bem consigo mesma pode até não se enquadrar no padrão de beleza almejado pela maioria, mas, aos olhos dos outros, ela se torna uma pessoa bonita, pois o seu exterior passa a refletir toda a beleza que carrega dentro de si.

    Abraços,
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Postado por Júlia

2 vaidosos comentaram:

Anônimo disse...

http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=7&ved=0CGQQtwIwBg&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D6rfnOsL65s4&ei=GPbaT9KoKIT48gSxosznCg&usg=AFQjCNHvMW5ZfzH9riovcVDdCltJEyxaiQ&sig2=e1hM35X58wEKP_KgKdTpzA


o vídeo é esse.

Júlia disse...

@Anônimo

É esse mesmo! Obrigada! =]

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