21 agosto 2012

Autenticidade: uma característica em extinção?

"A moda sai de moda; o estilo, jamais" (Coco Chanel). -- imagem retirada do blog Diário Fashion.
Você é, de fato, uma pessoa autêntica, ou não passa de mais um "produto" fabricado?
     Difícil falar-se em autenticidade quando, no post anterior, declarei que sofro da "síndrome das lombrigas inquietas"... Contudo, enquanto lia alguns textos que publiquei em meu blog anterior, deparei-me com um que particularmente chamou-me a atenção, e então eu percebi que precisava rescrevê-lo.

     Tudo começou quando, em janeiro de 2011, dois blogs que eu acompanhava diariamente foram alvo de "ataques de leitores ávidos por cultura massificada". Num dos blogs, a blogueira foi criticada por conferir aos seus textos um foco muito mais amplo do que penca de esmaltes e batons, enquanto que a outra (uma blogueira de moda), foi criticada por montar seus looks de um modo mais "fora do lugar-comum". 
*Agora, passado um ano desde aquele episódio, não vejo mais problema em "dar nome aos bois": a blogueira "polêmica" atende pelo nome de Mariana Mansur, enquanto que a blogueira "criativa" é a Ivânia Diamond.
      
     Naquela época, eu acompanhava diariamente estas blogueiras justamente por conta da sua autenticidade, uma característica que, ultimamente, parece estar em falta nas pessoas em geral, que dirá na blogosfera. Acredito que a originalidade das pessoas - tanto em relação à sua aparência, quanto às suas próprias atitudes - chegou a um ponto tão ruim, que não conseguimos mais distinguir quanto um gesto de caridade é praticado de coração ou por mera convenção. Ora, bastou Angelina Jolie adotar várias crianças de países do Terceiro Mundo, para que outros tantos famosos começassem a "colecionar" crianças carentes...

     Já em relação à moda, a coisa é ainda mais curiosa. Isso porque, quando a moda surgiu, seu objetivo consistia em diferenciar. Ora, até o Século XV todos usavam vestimentas iguais, em cores sóbrias e com os mesmos padrões. Porém, com o aparecimento da moda, as pessoas começaram a se vestir de modo mais "pessoal", incluindo em suas roupas características que mais lhe agradavam, conferindo, assim, uma certa individualidade que até então era praticamente inexistente. 

     Para mim, esta sempre foi e sempre será a função da moda: ser uma oposição ao modismo. A moda veio justamente para diferenciar (e não igualizar), enquanto que o modismo serve à igualização (e não à diferenciação).

Iris Apfel: exalando autenticidade, desde 1921. -- imagem retirada do blog Fashion Tips.
     É por isso que costumo me opor aos "modismos". Não vou fingir que gosto de algo só porquê está todo mundo usando (olá, sneakers! prazer, caveirismo!), e acho ainda mais medíocre quando anunciam que "neste ano" uma característica fisiológica "está em alta" (p. ex. o diastema da Lara Stone, os cabelos crespos, os cabelos ruivos, e por aí vai). 

     Mas por que falei tudo isso? Bom, não foram poucas as vezes em que uma Fulana que torcia o nariz para um modismo de repente se rendeu, e então se viu cheia de prestações para pagar em razão do seu consumismo desenfreado. 

     Sei que todos passamos por uma fase negra na vida em que somos julgados não pelo que de fato somos, mas pelo que possuímos. É só que, do fundo do meu coração, acho triste sair por aí e ver um bando de clones de 12-18 anos desfilando pelos shoppings, todas com o cabelo com um mesmo corte e pintados com a mesma cor, e orgulhosos da sua capacidade de igualização...

     Mas isso não é motivo para orgulho! Isso é a prova de que tudo o que tentei passar aqui é verdade! Isso é a prova de que a autenticidade está em extinção!

     E é aí que entram as duas blogueiras que mencionei: ambas foram justamente criticadas por se posicionarem "fora do padrão". Eu mesma certa vez fui criticada no meu blog antigo por postar que tenho verdadeiro horror a esmaltes nude, pois não vejo utilidade num esmalte cuja função é fingir que não está ali, contrariando praticamente toda a blogosfera daquela época, que amava/idolatrava o all-nude.
* E agora me parece que estamos em época de all-white, não? Onde foi parar o all-nude? Ninguém ama mais? Será que alguém me criticaria agora por discordar dos esmaltes nude?

     De qualquer forma, fossem aquelas blogueiras, fosse eu, todas fomos criticadas por "nadarmos contra a maré", por tentarmos ser "diferentes"... Mas merecemos tais críticas? Pra quê retornar à mistura insossa da geleia geral e fazer coisas que todo mundo faz? Pra que nossos blogs sejam apenas mais uns dentre os milhares de blogs existentes? Pra quê?

     Imagine se Madonna, no início da carreira, não fosse tão despudorada! Imagine se Lady Gaga não saísse por aí com roupas de gosto extremamente duvidoso! Imagine se COCO CHANEL não tivesse se negado a usar as roupas cafonas que eram sucesso na sua época!

     Eu, ao menos, não sou revolucionária e nem pretendo ser. Contudo, parodiando a vinheta do National Geographic, se "são as ideias que movem o mundo", por quê destruir as ideias, as inspirações e os sonhos de outras pessoas, só porque eles não lhe agradam?

     "Torna-te quem tu és", afirmou Nietzche certa vez. Bem, não é a toa que esta frase acabou por se tornar a minha citação favorita, pois é exatamente o que penso para mim todos os dias: que tenho que ser o que, de fato, sou e pronto! E é exatamente isto que acredito que cada um deveria pensar paa si...

     Abraços,
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Postado por Júlia

4 vaidosos comentaram:

Senhorita L. disse...

Acho que foi Coco Chanel que disse que moda passa, mas estilo fica. Cheguei num ponto em que acredito que a pessoa deve usar o que for melhor pra si. Ah, que seja feliz, se puder. Eu uso o que gosto, o que acredito que fique melhor em mim. Temos que descobrir o nosso estilo. E nós somos mutantes, não é? Numa fase você pode ter "horror a esmaltes nude" e depois mudar de opinião e gostar. Eu gosto de nude nas unhas, até porque me poupa trabalho. E também tenho uma pequena coleção de batons nude. Mas talvez um dia eu passe a gostar menos. Geralmente (é o que tenho notado) a massa não gosta do "fora do padrão". Mas no final o mais importante de tudo é ser você mesma.

Júlia disse...

@SENHORITA L.

Ó a frase, logo ali sob a foto da Coco! ^^

Sabe, todos que atiram uma pedra estão sujeitos a, um dia, serem vidraças. Só que parece que se esquecem disso! Normalmente eu chego a ser teimosa quanto às minhas convicções, mas nem por isso desrespeito a opinião dos outros. Ora, se eu escolhi algo para mim e não tenho qualquer tipo de dúvida quanto àquilo, por quê deixarei que outros me atinjam com comentários contrários? Se eu me sinto bem do modo que sou, por quê mudar só para agradar alguém? Ora, se tal pessoa realmente gostar de mim, não vai ser um esmalte nude, um clog ou um corte de cabelo que mudarão a sua opinião a meu respeito, não é? O importante é saber quem se é, e amar quem se é do modo como se é! ;)

Bjos!

Anninha disse...

Se tem uma coisa engraçada é quando leio um blog e a pessoa, que três dias atrás odiava Sneaker, "se rendeu", comprou um e tá gostando (só o preto, porque os coloridos são ridículos). Dá sono isso, sério. Como vc ora odeia, critica todo mundo que usa e de repente muda de ideia e passa a usar? Eu adoro a moda, acho sempre transgressora e criativa, além de bastante cíclica, mas os modismos? Esses são um saco. Pra que todo mundo tem que se vestir igual? Coisa idiota...
Ter uma leve noção do ridículo (como não usar decotes abusivos na missa) é muito bom, mas viver sob o jugo da última tendência, é ter a mente muuuito fraca.

Amei seu texto!

Beijão!!!

Júlia disse...

@ANNINHA

O que me deixa mais "louca" é quando anunciam um "modismo" baseado em características físicas. "Agora diastemas estão em alta!", "A vez dos olhos castanhos", "Sardas pra que te quero", "Rostos andróginos são o que há", e por aí vai... Como vc mencionou no teu post, é por conta dessas "doses homeopáticas de mediocridade" que adolescentes crescem traumatizadas. Ora, numa Coleção as curvas é que são valorizadas; na outra, viva a base de alface para conseguir entrar naquela calça skinni que não passa nem pela sua canela, que dirá caber nas suas coxas grossas!

Cada pessoa é bonita à sua própria maneira, mas os outros só perceberão isso se, em primeiro lugar, ela se amar como é. Se uma característica te incomoda, corrija ou camufle com maquiagem, plástica, o que for. Mas esteja preparado para ouvir críticas invejosas se você levantar a bandeira de que é feliz justamente por ser diferente.

Obrigada pelo comentário, Anninha. Adoro teus posts!

bjos ;)

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