10 março 2012

Cosméticos orgânicos, bio, "cruelty free" e "vegans"

Imagem retirada do site da Urban Cosmetics.
O que são cosméticos orgânicos, bio, "cruelty free"e "vegans", e quais são os benefícios em utilizá-los?
     Há algum tempo o termo "vegan" - ou o aportuguesado "vegano" - estava na moda. Hoje, nem é tanto o vegan que faz sucesso; agora estamos na era do "cruelty free". Mas o que, exatamente isto quer dizer?

     É muito simples e incompleto dizer que as empresas cosméticas que apresentam o selo acima, fornecido pelo PETA - People for the Ethical Treatmente of Animals, são "amigas da saúde e dos animais"...

     Na verdade, ao se intitular vegan, a empresa está a dizer que seus produtos podem ser utilizados por aqueles que seguem o estilo de vida vegan, pois na sua produção não é empregado nenhum item de origem animal. Não existe, portanto, esse negócio de uma empresa cosmética ser "semi-vegan"; ou ela é vegan, ou ela não é! Já uma empresa cruelty free, por outro lado, é aquela que não realiza testes em animais, e que não se utiliza de métodos cruéis para a obtenção de componentes de origem animal para os seus produtos.

     Por exemplo, para a filosofia vegan, um simples hidratante que contenha mel e leite na sua fórmula não pode ser utilizado, uma vez que leite e mel são componentes de origem animal. Já para uma empresa cruelty free, não há qualquer vedação quanto à utilização de leite e mel em um produto, mas é necessário que, quando da sua obtenção, nenhuma vaca ou abelha tenha sido ferida, e que, após o produto estar "pronto", é necessário que não tenha ocorrido qualquer espécie de teste com o produto em quaisquer espécies de animais.

     Tá. Sei que ainda fui "rasa" demais nessa minha explicação... De qualquer modo, embora não exista no Brasil um selo fornecido pelo PEA - Projeto Esperança Animal (equivalente brasileiro do PETA) que identifique os produtos vegan ou cruelty-free, e nem legislação que vede testes em animais, algumas empresas de cosméticos já estão automaticamente se adequando a esta filosofia, e já trazem nos seus rótulos e embalagens, em destaque, a informação de que não contém produtos de origem animal, ou que não realizam testes de seus produtos em animais. 

     Isto porquê, mais do que protegerem o meio-ambiente, com este tipo de atitude tais empresas estão, principalmente, buscando proteger a saúde dos seus consumidores. Daí porquê, além de cruelty free e vegans, as empresas têm investido na fabricação de produtos orgânicos

     De acordo com este artigo extraído do site da revista Época, um cosmético é considerado orgânico quando não possui matéria-prima sintética, derivados do petróleo e produtos geneticamente modificados, além de os produtos de origem natural serem livres de agrotóxicos. Mas quais as vantagens em se utilizar um cosmético orgânico, em detrimento de um cosmético não-orgânico?


     Olha, o fato de um produto cosmético ser orgânico ou não, não está em nada relacionado com a sua eficácia. Talvez, pelo induzimento psicológico provocado pelo uso do termo "orgânico", o consumidor seja levado a notar um melhor efeito, embora isto normalmente ocorra por um "efeito placebo". A matéria da revista Época, todavia, relata casos em que diferenças são, de fato, perceptíveis:

"Um hidratante facial ou corporal orgânico tende a ter uma qualidade superior à de um tradicional. Em vez de conter óleo mineral, que não penetra na pele, possui óleos essenciais, muito mais eficientes. “Eles estimulam a cicatrização e a produção de colágeno e elastina, além de hidratar profundamente”, diz Pupo. Segundo ele, porém, os produtos orgânicos capilares podem causar frustração. “Sem o silicone, os condicionadores não deixam os cabelos tão bonitos como os produtos tradicionais, não dão brilho nem permitem o penteado que o consumidor espera”, afirma. E os xampus não fazem espuma e não tiram toda a sujeira dos fios". 
     O famoso Moroccanoil, por exemplo, é, na verdade, um combinado de silicones com "um toque" de óleo de argan. Está, portanto, longe de ser óleo de argan puro, e, por isso, embora sua utilização se restrinja aos cabelos, sua atuação é muito mais eficaz se a intenção do consumidor consistir unicamente em conferir brilho aos cabelos. O óleo de argan puro, por outro lado, segundo Heglaé Maia, do blog Mocinha Kawaii, é multitarefa! Aliás, peço permissão para indicar o seu artigo "Óleo de Argan da The All Natural Face", onde ela relata suas impressões sobre diversos usos do óleo de argan natural.

     O principal fator que, no Brasil, atrapalha a produção de cosméticos orgânicos infelizmente é o preço. Alguns dos componentes ativos são difíceis de serem encontrados, ou então não podem ser produzidos em larga escala. Além disso, a vedação de utilização de agrotóxicos dificulta em muito o controle de pragas, resultando numa colheita que, normalmente, não pode ser 100% aproveitada. Daí porquê, para se aproximarem dessa ideologia sustentável dos produtos cosméticos, criou-se uma nova "vertente" de produtos: os cosméticos Bio, que não possuem derivados de petróleo na sua composição, ou possuem algum ingrediente certificadamente orgânico, embora os demais não o sejam. É o caso da linha Immortelle, da L'Occitane, cujos produtos são considerados "bio" por conterem o óleo essencial da flor immortelle, embora também possua parabenos em sua fórmula, elementos que, atualmente, costumam ser associados à incidência de câncer de pele. 

     Para que um produto, no Brasil, seja certificado como orgânico, ele obrigatoriamente deve ser, também, cruelty free.

     Nota-se que consumir ou não produtos vegan e cruelty free é mais uma questão de ideologia do consumidor do que qualquer outra coisa. Consumir produtos bio, por outro lado, já demonstra uma maior preocupação com a saúde, enquanto que os produtos orgânicos aliam saúde e ideologia, uma vez que, para que seja considerado orgânico, o produto necessariamente deve ser, também, cruelty free

     Apenas a título de curiosidade, seguem algumas empresas cruelty free, tanto brasileiras quanto internacionais. A lista completa das empresas brasileiras pode ser obtida aqui, enquanto que a lista de empresas internacionais pode ser obtida aqui.

  • Empresas brasileiras: Abelha Rainha, Adcos, Água de Cheiro, Amend, Contém 1g, Davene, Embelleze, Farmaervas, Granado, Impala, Koloss, L'Aqua di Fiori, Mahogany, Natura, Niasi, O Boticário, Racco, Valmari, Vita Derm, Vult.
  • Empresas internacionais: Chanel, Clarins, Clinique, Herbalife, Lush, M.A.C Cosmetics, Payot, Revlon, St. Ives, The Body Shop, Victoria's Secret.
  • Empresas internacionais que realizam testes em animais: Avon, Aussie, Cacharel, Colgate Palmolive, Estée Lauder, Johnson & Johnson, Lancôme, L'Oreal, Mary Kay, Maybelline, Procter & Gamble, Shiseido, Shu Uemura, Unilever, Vichy, Walgreens.
     Abraços,
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Postado por Júlia

5 vaidosos comentaram:

Gi Lizarda disse...

Ótimo post, Julinha!^^

Eu não ser hipócrita e fingir que me importo com os testes em animais. Como alérgica a quase tudo nessa vida, sei que um cosméticos testados nos bichinhos tem muito mais chance de não agredir minha saúde do que os não testados. E não me arrependo de pensar em mim, já que sei bem como dói/coça/arde uma alergia. Claro que ico triste com a crueldade, com dó mesmo, mas... ou eles ou eu. E eu sou mais eu. Desculpa.

Já quanto aos cosméticos Bio... adorei conhecer! Valeu pelo post.
Beijocas.

Júlia disse...

@GI LIZARDA

Rs! Não escrevi este post querendo julgar ninguém não, Gi! Aliás, minha intenção foi mais esclarecer sobre o que seria, de fato, um produto cruelty free, do que ficar dando lição de moral, fazer ativismo ou qualquer coisa do tipo. É aquilo que falei no começo do post: assim como "ser vegan" esteve "na moda" tempos atrás, hoje parece que a moda é usar produtos "cruelty free", e a maioria das empresas afirma ser "bio" ou "cruelty free" apenas por jogada de marketing, sem o serem na realidade.

É o caso, p. ex., da Lime Crime - juro que não é implicância minha com a marca! rs! Há tempos, no site da marca, divulgava-se que os produtos, além de "cruelty free", eram também vegans". Depois de vários comentários negativos, a marca se corrigiu, e hoje, na página F.A.Q., eles continuam afirmando que a marca é "cruelty free", porém há também a seguinte informação: "Is Lime Crime a vegan makeup line?
Most of our products are formulated without any animal-derived ingredients and therefore are suitable for vegans. Eyeshadow Helper does contain beeswax, but we are currently reformulating. As a company who promotes kindness and compassion towards animals, we strive to continue developing more vegan-friendly cosmetics so that everyone can feel beautiful!"

Só que acredito que, pra 95% das brasileiras que conhecem a marca, se perguntarmos: "Dê um exemplo de uma empresa de cosméticos vegan e cruelty free", a Lime Crime será a primeira que será dita. O marketing falso já deu certo e já se consolidou. Agora eles buscam a clientela dessa pífia parcela da população que sabe da verdade, sabe do que realmente se trata e segue essa ideologia, através de frases "apaga-incêndio" como: estamos reformulando nossos produtos.

Obrigada pelo comentário, Gi! Bjão!

Lorena disse...

Legal você citar o veganismo no seu blog!
Beijos

Anônimo disse...

Excelente post!

Júlia disse...

@LORENA

Como mencionei no comentário que fiz no teu blog, não adianta uma pessoa se declarar adepta ao veganismo, se continuar utilizando cosméticos que utilizam derivados animais em sua composição. E fico louca com a hipocrisia de algumas marcas por divulgar algo que, na realidade, não o são. =]

@ ANÔNIMO

Muito obrigada! ^^

Abraços e voltem sempre!

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